quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TAURAS DA RAÇA JERSEY (VIII) - FLÁVIO ABRANTES

FLÁVIO DA SILVA ABRANTES

No escritório da ACGJRS, à rua XV de Novembro em Pelotas

Flávio Abrantes nunca criou Jersey, sendo um capítulo especial na história da raça no Rio Grande do Sul.

Foi o responsável pelo registro genealógico da Jersey desde 1955, sucedendo a Mário Burck Santos, até o ano de 1984, quando se aposentou. Dezenas de criadores, talvez centenas, se tornaram jersistas por terem sido por ele convencidos de que "era a melhor raça leiteira devido à qualidade do seu leite, à sua fertilidade, e ao sabor de sua carne". Um deles fui eu, autor deste blog, no ano de 1977 quando ainda era um dedicado criador e expositor da raça Holandêsa, a partir de 1982 optando pela exclusividade da Jersey.

Propositalmente antipático para quem não o conhecia, era muito brincalhão e possuía um humor sui-generis. Gostava muito do seguinte diálogo em roda de jersistas:


Pergunta: Flávio, o que achas de determinado touro?
Sua resposta, invariável: não o usaria.
Porque?, brotava a nova pergunta.
Com um sorriso irônico, justificava: porque eu não crio Jersey, crio charolês.
E, rindo, afastava-se momentâneamente do grupo, em seguida voltando.


Flávio (d) com Bertagnolli e Elton Butierres, e De Nardi ao fundo.


Mas não era só o Serviço de Registro Genealógico da raça Jersey que Flávio atendia: desempenhava o papel de secretário, de tesoureiro e de organizador das exposições especializadas por todo o Rio Grande. Encarregava-se, em apoio às diversas diretorias por que passou, de tôda a burocracia, alem de eficientemente executar o serviço de confirmação e tatuagem dos animais a campo e, a seguir, do lançamentos de seus dados nos arquivos da raça Jersey junto à Associação Brasileira no Rio de Janeiro e, posteriormente, em São Paulo.

Flávio Abrantes foi um zootecnista muito bem conceituado por todo o estado gaúcho, no Uruguai, em Santa Catarina e no Ceará, não só na raça Jersey como em outras raças leiteiras, mistas e de corte.



Em homenagem muito especial, no ano de 1986 a sala do Serviço de Registro Genealógico da ACGJRS foi batizada com seu nome e, no ano do cinquentenário dessa Associação, sua Sede Social.

De sua filha Patrícia, o resumo da interessante vida profissional deste TAURA DA RAÇA JERSEY:

“Flávio da Silva Abrantes nasceu em Pelotas/RS, a 14 de março de 1922. Seu pai, João Abrantes, era o braço direito do Cel.Pedro Luis da Rocha Osório, o “Rei do Arroz”, assumindo a direção daquela importante empresa quando do falecimento de Pedro Osório, aquele que foi um dos mais importantes homens na economia riograndense.

Formado na Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel-FAEM em dezembro de 1947, Flávio Abrantes foi nomeado interinamente para o cargo de zootecnista a 25 de abril do ano seguinte sendo, a partir de 16 de junho, designado para o Serviço de Experimentação Zootécnica da Diretoria da Produção Animal – DPA - em Pôrto Alegre.

Transferido para o Posto Zootécnico da Serra a 1º de maio de 1949, em Tupanciretã, foi dois anos após nomeado seu diretor e, em 1953, passou a lecionar as disciplinas e trabalhos práticos no Curso Prático de Suinocultura.

Em maio de 1954 passou a atender ao Serviço de Seleção Bovina em Tupanciretã, e requisitado para inspecionar os bovinos importados via Sant’Ana do Livramento. Foi para Cruz Alta em 1º de maio de 1955, passando a atender ao Serviço de Seleção Bovina.

Quadro utilizado por Flávio quando de suas explanações sobre a raça Jersey
Ainda em 1955, aprovado no concurso de provas e títulos de Zootecnia do Quadro Único de Funcionários Públicos Civis do RS, foi designado para atender provisòriamente o Registro Genealógico da Raça Jersey no Rio Grande do Sul, sediado em Pelotas, e o Serviço de Seleção Bovina na região sul do Estado. Em 8 de novembro foi nomeado para o cargo de zootecnista, em 1956 passando definitivamente para essa função na DPA da SAIC-RS, em Pelotas, confirmando definitivamente sua função na raça Jersey, que sempre exerceu sem qualquer ônus para a Associação.

Os fichários de campo de Flávio Abrantes, e o primeiro livro
oficial de Registros da Raça Jersey
 Viajou para o Uruguai em 1957, participando dos “Estudos sobre o plano de fomento da produção leiteira” daquele país mantido pela CONAPROLE -Cooperativa Nacional de Produtores de Leche - por solicitação do então presidente da COOLACTI -  Cooperativa de Laticínios da Região Sudeste do RS, precursora da COSULATI,  engº agrº Oscar Luis Osório Rheingantz.

Em 1958 foi promovido a Chefe do Posto de Gado Leiteiro do Serviço de Pecuária Leiteira, com sede em Pelotas.

Representou a ACGJRS no II Encontro das Associações de Registro Genealógico de Raças Leiteiras no Rio de Janeiro, em 1959. Palestrou em outubro de 1966 sobre a raça jersey durante a 1ª Feira Nacional de Laticínios em Lajeado e, em outubro de 1972, sobre gado leiteiro no Sindicato Rural de Arroio Grande. De 1957 até 1976 foi Coordenador Auxiliar do Comissariado do Gado Leiteiro nas exposições estaduais, nacionais e internacionais realizadas no Rio Grande do Sul.

Como jurado sempre representou, com prazer, aos criadores de gado Jersey do RS, classificando tanto as Jersey como outras raças leiteiras, mistas e de corte em eventos oficiais.

As atuações de Flávio Abrantes em exposições:

1952- jurado único de bovinos na XVII Expo-Feira de SãoGabriel, RS.
1953- jurado de bovinos na 3ª Exposição Regional da 7ª zona, e 6ª Expo-Feira Agropecuária e Industrial promovida pela Casa Rural Serrana, em Tupanciretã, RS.
1958- jurado da raça jersey na 32ª Expo-Feira da Sociedade Agrícola de Pelotas, RS.
1960- jurado da raça jersey na 1ª Exposição realizada pela Associação Missioneira de Gado Jersey, em Santa Rosa, RS.
1961- jurado das raças leiteiras na 11ª Exposição Regional, patrocinada pela Associação Rural de Tupanciretã, RS.
1964- jurado das raças holandêsa e charolêsa na Exposição-Feira da Associação Rural de Cangucú, RS; secretário de jurado na raça holandêsa e jurado de suínos na Expo-Feira de Pelotas, RS.
1965- secretário de jurado da raça jersey na Exposição-Feira de Bagé, RS.
1966- jurado de bovinos na Exposição da Associação Rural de Sta.Vitória do Palmar, RS.
1968, 1969, 1970, 1971, 1972 e 1984- jurado da raça jersey na Exposicion  Nacional de Ganaderia promovida pela Associación Rural del Uruguay, no Prado, Montevideo.
1969- jurado da raça jersey na 57ª Expo-Feira de Bagé, RS, e jurado da raça normanda nas 32ª e 33ª (1969 e 1970) Exposição Estadual de Animais no Menino Deus, Pôrto Alegre, RS.
1971- jurado da raça jersey na Exposição Regional de Colorado, Pelotas, RS, e secretário de jurado das raças Devon e Normanda na 34ª Exposição Estadual de Animais, Esteio, RS.
1973- jurado da raça jersey na 17ª Exposição de Gado Leiteiro de São Paulo, SP.

Autor de diversos artigos sobre a raça jersey em jornais e revistas gaúchas, com destaque para A GRANJA (maio de 1968), no ano de 1972 recebeu o Trevo de Prata em homenagem ao jubileu de prata profissional, concedido pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, em Pelotas/RS. Em 1977, foi reconhecido por sua dedicação e espírito cívico em prol do desenvolvimento do gado leiteiro pela Prefeitura Municipal de Pedro Osório/RS, naquela época o município com maior número de criadores da raça Jersey no Brasil.”


Flávio faleceu em 1985 e, em 10 de dezembro de 1987, Mário Mendes de Mattos – renomado criador e presidente da ACGJRS por duas gestões - dedicou o poema abaixo à Auris Abrantes, sua viúva:


De seu grande amigo e admirador, Pedro Muñoz Chaves, quando faleceu mereceu o seguinte texto no Diário Popular de Pelotas:


Nenhum comentário:

Postar um comentário