quarta-feira, 26 de setembro de 2018

TAURAS DA RAÇA JERSEY XXXI - ANARDINO COSTA


ANARDINO COSTA, mineiro, foi considerado “o segundo criador do mundo”, e o maior do Brasil, no final da década de 80, quando seu conhecido plantel contava com mais de 1300 cabeças da raça Jersey, todas registradas na JERSEYMINAS/ACGJB.

Nascido e criado no município de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, seus pais fazendeiros, em 1956 começou uma pequena criação de gado Holandês, com 40 matrizes.

Com muita insistência, um vizinho ofereceu-lhe 4 mestiças Jersey, raça da qual Anardino nunca havia ouvido falar. Sua curiosidade, entretanto, foi despertada, e adquiriu os animais, apesar de não recomendar aos amigos que comprassem Jersey.

Numa grande seca, o gado Holandês começou a morrer, as Jersey continuado bem, e Anardino não teve dúvida: passou a adquirir mais vacas Jersey, e algum touro PO, passando a acreditar na alta resistência, e qualidade, da raça.


Com o aumento de criadores de Jersey por todo o mundo pecuário, Anardino creditava à grande atuação de Mário Lopes Leão, ex-presidente da ACGJB e responsável pela transferência de sua sede do Rio de Janeiro para São Paulo capital, o grande desenvolvimento da raça Jersey nesse estado, assim como a Aldo Raia – também ex-presidente da brasileira, na década de 80. Ambos incentivaram os criadores a participarem, ativamente, da associação.

“O setor está unido, fortalecendo o desenvolvimento da raça Jersey no Brasil”, afirmava constantemente Anardino, admirador da maior qualidade no leite produzido pelas pequenas vacas.
Conselheiro da ACGJB em algumas gestões, esse simpático mineiro via, e divulgava, as inúmeras vantagens da Jersey: menor custo de manutenção, raça leiteira com maior facilidade de transformar pasto em leite, com rusticidade comparada aos zebuínos, comendo menos do que suas concorrentes. Não deixava de citar que a bezerra Jersey é criada com menos leite e concentrados, e quando eventualmente adoecem gastam menos em medicamentos. Afirmava que é a vaca mais precoce, conseguindo parir de seis meses a um ano antes do que suas rivais das outras raças, tendo vida mais longa chegando, fàcilmente, aos 20 anos. No transporte, se acomoda melhor  devido ao seu tamanho e peso reduzidos, e suas desvantagens são poucas: no leite não são as que produzem maior quantidade, e o macho não tem procura para o abate.

Concorreu, como vice-presidente de Vitório di San Marzanno, à diretoria da ACGJB, com a seguinte chapa:


Sua fazenda, Barra do Itacaí, está localizada em Cachoeira de Minas/MG, próxima de Pouso Alegre, sendo uma das suas várias propriedades nessa região. O nome foi originado dos rios Itaí e Sapucaí, que banham a fazenda. Lá manejava mais de 1.000 cabeças de Jersey, sendo a sua principal fazenda e, alem da produção de bezerras e bezerros, uma grande quantidade de leite era comercializada diàriamente.


Sempre atento à evolução de manejo e genética, Anardino iniciou cedo experiências com transferência de embriões, acreditando ser essa a saída para a melhoria do rebanho.

Importou, por muitos anos, animais de vários países: Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Uruguai eram os preferidos.

Mas a grande maioria de suas aquisições vieram, mesmo, do Rio Grande do Sul, estado pioneiro na criação desta notável raça, e onde sempre houve grande disponibilidade de bons animais, PO e PC, assessorado por seu grande amigo, também destacado criador, Jorge Roberto Burck (afixo Catimbau).


Em exposições, os animais ITACAI se destacaram, tanto no estado de MG como nas nacionais em São Paulo, e nas regionais de Avaré, obtendo ótima premiação a partir da criação do ranking de criadores e de expositores, geralmente muito bem posicionado: vencendo ou ficando próximo.

Nas nacionais, apresentou por tres vezes a melhor progênie de pai, duas vezes o melhor conjunto de vacas leiteiras, três vezes o melhor úbere, sendo mais de uma vez melhor criador e melhor expositor, fora vários outros campeonatos e reservados de campeonatos. Com destaque, obteve alguns Grandes Campeonatos em São Paulo e em Minas Gerais, sendo grande sua galeria de troféus e rosetas.


O plano desse mineiro era expandir o rebanho para 2 mil cabeças, o que não sei se chegou a realizar. Mas deve ter chegado muito perto. Chegou a desativar uma de suas fazendas, com 300 ha de cultura de arroz e de milho, onde passou a criar Jersey. Apesar do constante desestímulo governamental para a produção leiteira, Anardino sempre afirmava que “vale à pena criar Jersey, a raça bovina mais valorizada no mundo”.


Do taura Willian Labaky, XXIII capítulo de TAURAS DA RAÇA JERSEY:
“O grande amigo e criador Anardino Costa, de Pouso Alegre/MG, considerado à época o maior criador de gado Jersey do Brasil, com um rebanho que chegou à casa de 1000 matrizes, desempenhou um papel extremamente importante para toda uma geração de criadores, entre os quais me incluo. Anardino sempre foi um apaixonado pela raça e tinha uma intuição, além de olho clínico, muito acurados em relação ao que se podia definir como a vaca Jersey ideal. Não por outra razão, nas duas primeiras Exposições Nacionais promovidas pela nova Diretoria da Associação, em que era vice-presidente, fez as Grande-Campeãs com as vacas Itacaí Bengali e Itacaí Década."

Conheci Anardino Costa numa Expointer, não lembro bem o ano, ainda na década de 80. Sempre muito educado e simpático, os jersistas gaúchos adoravam-no. Comprava mais de 500 animais por ano do RS, e tive o prazer de vender-lhe algumas ótimas PO e dois tourinhos de excelente pedigree. Dentre as vendas que lhe fiz estavam duas vacas, já com 15 anos de idade, da criação da FAZENDA CINCO CRUZES/Bagé, descendentes diretas de MILESTONE GENERATOR, que lhe deixaram duas bezerras, cada uma, com os melhores touros do momento e afixo ITACAÉ.

FCB Sapeca
Há muitos anos não me encontro com esse verdadeiro “ídolo brasileiro da raça Jersey”, que era juiz por merecimento, muitas exposições tendo julgado no Rio Grande do Sul onde, sempre, foi muito bem recebido e querido.

Com muito respeito e segurança, afirmo: ANARDINO COSTA é um TAURA DA RAÇA JERSEY!




2 comentários:

  1. Boa tarde Carlos parabéns pela homenagem ele merece muito isto.

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  2. Sou sobrinho dele acompanhei ele nesta época muito merecido. Se quiser posso mandar o número dele tenho certeza que vai gostar de falar com você.

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