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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

GRANDES VACAS "II" - SURENA GILLER TENFEN, EX 95




SURENA GILLER TENFEN - EX 95 (HBB 149971C), a primeira vaca a ser classificada EX 95 no Brasil, foi adquirida em 2015 por NELSON EDUARDO ZIEHLSDORFF – SRC FARMS, Indaial/SC, na Exposição de Braço do Norte/SC quando foi Reservada de Campeã Vaca 4 Anos.
  


Nascida em 15 de outubro de 2010 na propriedade denominada “Recanto da Cachoeira”, de JOSÉ TENFEN/GRANJA TENFEN, no município de Braço do Norte/SC. SURENA GILLER TENFEN - EX 95, é filha de Shamrock Giller – EX x Sulina Legion Tenfen, tendo como avô materno BW Legion. Sua avó materna é Sula Berreta Lester Tenfen (Highland Duncan Lester x Formosa Imperial Berreta Tenfen).


Em 2013, 1º parto, SURENA foi classificada MB 86, conforme súmula a seguir:


Aos 6 anos de idade, SURENA já conquistou os seguintes títulos para a SRC FARMS:


2018:
Ø  Grande Campeã da “Festa do Leite”, em Presidente Getúlio/SC, e Suprema Campeã de todas as raças;
Ø  Grande Campeã e Melhor Úbere da maior exposição da America Latina (312 animais julgados) em Braço do Norte/SC, II etapa do CNRJ–Circuito Nacional da Raça Jersey;
Ø  Grande Campeã, Melhor úbere da III etapa do CNRJ, em Itajai/SC, com 102 animais em pista , e Suprema Campeã de todas as raças;
Ø  Única vaca, no Brasil, a ganhar duas etapas do CNRJ no mesmo ano, superando mais de 400 animais nos dois eventos.

2017:
Ø  Grande Campeã e Suprema das raças Festa do Leite;
Ø  Grande Campeã Etapa Nacional Braço do Norte;
Ø  Grande Campeã e Suprema da Festa de Itajaí
Ø  Reservada Grande Campeã Chapecó

2016:
Ø  Grande Campeã e Suprema das raças na Festa do Colono de Itajaí
Ø  Grande Campea e Suprema das raças na Festa estadual do Leite em Presidente Getúlio

2015:,
Ø  Reservada de Campeã Vaca 4 Anos, na Feagro

2018 - Feagro, Braço do Norte/SC

NELSON ZIEHLDORF afirma: “SURENA está sendo preparada para seguir nas pistas em 2019, e participará num programa de aspiração. Fechou a 5ª lactação com 9.453,00 kg de leite – 4,78% G e 3,98% P. Em resumo, esta excelente vaca foi Tri campeã Festa do Leite e Tri Suprema das raças – em Presidente Getúlio, Tri Campeã Festa do Colono em Itajai e Suprema das raças, Bi Campea Nacional Etapa Braço do Norte, Campea Nacional Etapa Itajaí 2018. Neste ano de 2018 ela competiu com mais de 500 animais da raça Jersey, acho que nenhuma vaca foi testada no Brasil desta forma nos últimos 10 anos. Filha sua foi vendida por R$ 16 mil no leilão de Braço do Norte, junho 2018, e foi a Campeã Jovem da  exposição de Xanxerê”.


Segundo LEANDRO TENFEN, filho de José, médico veterinário e aspirante a Jurado da raça Jersey, a mãe de SURENA - SULINA LEGION TENFEN – foi vendida para um criador de Cricuma/SC quando SURENA ainda era novilha, e não chegou a ser classificada. Sua avó foi recordista de produção e de longevidade: SULA BERRETA LESTER TENFEN. A bisavó é FORMOSA IMPERIAL BERRETA TENFEN, ou seja, 4 gerações com o afixo TENFEN, um criatório de 60 animais com 25 em lactação, atual bicampeão Melhor Criador e Melhor Afixo Jovem da FEAGRO (2017 e 2018), e Melhor Afixo em 2018. Antes de vendê-la, deixou-nos 3 machos – não foram registrados. Na SRC FARMS, já produziu 3 fêmeas!!! No primeiro ano em que participou de exposições, 2014, SURENA foi Reservada de Campeã Vaca Jovem. Antes deste ano, não participou de exposição em virtude do seu momento em lactação não ter sido adequado, e porque a Cabanha Tenfen participava de poucas exposições, normalmente só da Feagro”.

sábado, 17 de novembro de 2018

GRANDES VACAS "I" - GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO "FIV", EX 95

2018 - GEMA ISCA, Expointer/RS
Há muito venho resenhando esta "mini-série", intitulada GRANDES VACAS, sempre entusiasmado pelo grande conselheiro gaúcho da raça Jersey, o conhecido, e querido no meio agropecuário, Superintendente do SRG/ACGJRS: CLARITON TAVARES DIAS.

Bem, no momento em que duas vacas nacionais obtiveram a maior pontuação no Brasil, EX 95, não pude mais deixar passar. Minha intenção de apresentá-las neste primeiro capítulo foi superada pelo não recebimento de dados de SURENA GILLER TENFEN, EX 95 - criada por José Tenfen e propriedade de Nelson Ziehlsdorf - tendo que optar por postá-las em dois capítulos.

2018 - BRAÇO DO NORTE/SC, a Grande Campeã SURENA GILLER TENFEN, EX 95
Ambas, GEMA ISCA e SURENA GILLER TENFEN, são as grandes candidatas ao cobiçado título de GRANDE CAMPEÃ NACIONAL DA RAÇA JERSEY 2018, a ser apresentado ao público na grande festa de encerramento do ANO JERSISTA 2018 no próximo dia 24 em Curitiba/PR, coroando de êxito os dois mandatos do Presidente da ACGJB, MARCELO DE PAULA XAVIER.

2018 - IJUI/RS, a Grande Campeã GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO "FIV", EX 95

POR TRÁS DE UMA EX 95

2018 - GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO "FIV", EX 95
Grande Campeã na EXPOINTER/RS
Grande Campeã em TRÊS DE MAIO/RS
Grande Campeã na V ETAPA DO CNRJ, em IJUI/RS

2018 - EXPO EM TRÊS DE MAIO, Grande Campeã e Campeã Longeva:
GEMA DOUTRINA QMO CHAIRMAN, EX 91 - mãe de GEMA ISCA

J.MENDINA 300 MAGIC OGSTON RESENHA, MB 85 (classificação aos 10 anos)
Avó de GEMA ISCA, morreu aos 14 anos de idade

2016 - GEMA LIMA DOUTRINA MOCHILA, irmã de GEMA ISCA
3º Melhor Fêmea Jovem na FENASOJA
2017 - Campeã Vaca 1 Ano Parida na V ETAPA DO CNRJ, Ijuí/RS

ETIMOLOGIA DE SEU NOME:
GEMA: afixo do criador desde 1961 na raça Jersey: G/Gerzy, E/Ernesto, MA/Maraschin
ISCA: nome da vaca, a inicial “I” significando, nesse plantel, que nasceu em 2013;
DOUTRINA: sua mãe, uma Chairman EX 91, atualmente seca preparando-se para seu 9º parto, aos 11 anos de idade, também mãe da Gema LIMA Doutrina Mochila MB 88 (ao 1º parto) Campeã 1 Ano Parida do Circuito Nacional do Jersey de 2017. Doutrina também tem um filho de Marcin, Gema MAESTRO Doutrina Marcin, atualmente coletando e vendendo sêmen pela GENSUR;
VALENTINO: touro que colocou muito leite nas filhas. É o pai de “nossa” recordista nacional de 1ª lactação, Gema LENDA Iguana Valentino MB 89 (ao 1º parto), com 9 .510 kg de leite em 305 dias de lactação;
FIV: investimento em tecnologia, resultado de fertilização “in vitro”, coletada em Santa Rosa-RS, concebida em Campo Grande-MS, nascida em Santo Ângelo e, novamente, criada em Santa Rosa;
EX 95: pontuação obtida mediante avaliação (pontuação) individual por técnico devidamente credenciado pela Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil – ACGJB, em comparação com a vaca-padrão da raça (100 pts).  A pontuação acima de 94 pontos obrigou à vaca avaliação por duas vezes, e técnicos distintos: med.vet. Artur Garcia Cademartori/RS e med.vet. Paulo Henrique de Souza/PR.

2016 - na FENASOJA, três GEMAS: Hípica, Isca e Doutrina
(as três primeiras da esquerda para a direita)

2014 - melhor Conjunto Família na FENASOJA, GEMA ISCA e
GEMA DOUTRINA com Marcelo e Caco (um conjunto família campeão)

GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO “FIV” não apareceu por acaso: desde 1961, o engº agrº, profº e doutor em Agronomia pela UFla/USA, GERZY ERNESTO MARASCHIN, investe em genética. Sempre buscando touros melhoradores das características que julga mais importantes para a produção, que vão sendo incorporadas ao perfil genético de seu rebanho, hoje substituído por sua filha, ÂNGELA DE FARIA MARASCHIN que, desde “pirralha”, acompanhava o pai na criação e nas exposições da raça Jersey.

1983 - Expointer/RS, a Gr.Campeã BARAJÁS com os irmãos  Ângela,
Simone e Jorge. Ao fundo, um primo Maraschin, o sócio Augusto Lorenzoni,
um peão e Cláudio Lorenzoni. 
A partir de 2004, já médica veterinária, Ângela assume com seu marido Marcos “Caco” Sousa de Freitas, também veterinário, a condução geral do rebanho. Mas Gerzy, velho e competente guerreiro, sempre atualizado nunca abandonou a Jersey e, com satisfação, assiste hoje a participação de seus netos, Marcelo e Daniela, “criados junto às Jersey e à atividade leiteira”.

2018, Ijuí: Ângela, Marcelo, Daniela e Caco
Na década de 70 uma grande e rigorosa seleção, baseada no controle leiteiro oficial na propriedade, obrigou a permanência apenas dos animais mais produtivos. Na Expointer de 1983, em Esteio/RS, a vaca BARAJAS foi a Grande Campeã, título que já havia conquistado no ano anterior em Santa Maria/RS, pertencente a GERZY MARASCHIN.

1982 - D.Eneida com BARAJÁS, Grande Campeã em Santa Maria/RS,
em 1983 Grande Campeã na Expointer/RS

Depoimento de Caco:

“Além das características com mais ênfase consideradas pela Cabanha, ao longo destes anos houveram investimentos em tecnologia da reprodução, como Transferência de Embriões resfriados e congelados, e Fertilização “in vitro”. A adoção de atividades como estas em animais superiores, possibilitou-nos a obtenção de alguns animais que, pelas técnicas usuais de inseminação ou monta natural, não seriam possíveis. Nossa grande vaca do momento, GEMA ISCA, resume tudo.

2018 - GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO "FIV", EX 95
Expointer, Esteio/RS
“Muitas pessoas participaram deste feito, para começar temos que falar de meu sogro, Gerzy Ernesto Maraschin, grande mentor, entusiasta, incentivador. A maneira como procedeu a transição da gerência das atividades merece elogios. Só assim pode haver a tão esperada sucessão familiar. A família, por muitas vezes, abdicou de outras atividades para dedicar-se um pouco mais às vacas, e aqui falamos toda a família: dos que estão, dos que já foram, e dos que estão chegando. À Ângela, sucessora nata de jeito e de vontade, que com habilidade soube aceitar o novo sem perder o que foi conquistado, mas sempre com seus princípios fortes e bem defendidos. A todos os funcionários que já trabalharam conosco, todos eles, de pouco ou muito tempo, que foram importantes na formação deste rebanho. Aos “preparadores”, que sempre entenderam que as “vacas estavam em primeiro lugar”, sua saúde, seu bem-estar acima, muitas vezes, do nosso bem-estar. Ao técnico classificador, Artur Cademartori, que acompanha nossa caminhada há muito tempo e vem registrando essa evolução, sempre, com muita eficiência e retidão. Cito também a contribuição do técnico classificador Paulo Henrique de Souza, prontamente vindo de Curitiba a Santa Rosa para a certificação da nota EX 95. A Associação de Criadores do Gado Jersey, que sempre certificou nossas anotações zootécnicas.

2018 - em Ijuí, quase tôda a equipe GEMA
“O teste genômico, hoje, nos permite identificar a presença de certos genes que nos dão a verdadeira possibilidade da expressão das características em questão. Tanto tempo utilizando material genético positivo para determinadas características, no momento em que se dá condições ambientais para os animais, esta combinação gênica acaba por refletir em um conjunto de animais diferenciados.

“Em primeiro lugar, pré-requisito para fazer parte da bateria de touros: FORÇA. Esta era, e ainda é, uma característica que os responsáveis pela escolha de touros não abrem mão: tem que ser positiva, e bem positiva!

“A partir de 2004, leite, característica de boa herdabilidade que possibilitou a manutenção do rebanho através da venda deste produto e da participação em concursos leiteiros com resultados expressivos nas principais feiras do Estado.

2018 - Caco, dedicado nos torneios leiteiros de Ijuí e Esteio
“O investimento em genética sempre esteve presente como um dos quatro pilares da produção, junto à alimentação, manejo e sanidade. Cada um com seus custos específicos mas com o mesmo grau de importância, nunca esquecendo-nos da Lei dos Mínimos: nenhum vale mais que um outro.
Para finalizar, dizer que é muito prazeroso ver nossos sonhos realizando-se, aos poucos mas com consistência, recarregando nossas baterias para o dia-a-dia tão desafiador destes novos tempos, mostrando-nos que sempre temos algo a melhorar.
“E seguiremos buscando este melhor!"

D.Eneida, Gerzy, Daniela e Marcelo: 1ª e 3ª geração de sucesso,
a 2ª ordenhando suas GEMA na FENASOJA

sábado, 1 de setembro de 2018

JerseyRS - UMA ASSOCIAÇÃO DE RAÇA, 70 ANOS


ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO RIO GRANDE DO SUL - ACGJRS

Marco Petruzzi batendo o martelo no Leilão dos 70 anos
Em 02 de setembro de 1948, um grupo de abnegados pecuaristas, e pessoas de projeção da região de Pelotas (RS), fundou a Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul - ACGJRS.

Ata de Fundação da ACGJRS
Sua história é muito rica e interessante, e a comemoração do seu septuagésimo aniversário, neste século e milênio em que a vaca Jersey passou a ser reconhecida, nacional e internacionalmente, como a produtora do leite de melhor qualidade, de melhor rendimento industrial e de menor custo de produção, supera de muito aos revezes econômicos do setor leiteiro, que vêm constantemente ocorrendo por todo o Brasil.

Exemplar do livro sobre a ACGJRS, com os primeiros 50 anos,
cujo exemplar foi oferecido pelo autor à Associação de Criadores de Gado
Jersey do RS e estará disponível apenas em 2019 já com os 70 anos completos.
Joaquim Francisco de Assis Brasil ao adquirir suas primeiras Jersey em 1895, trazendo-as para o Brasil no ano seguinte, sabia “estar introduzindo uma raça nobre, antes de mais nada produtora de um leite gostoso e consistente cuja gordura amarelada e de grumos especiais proporcionava uma manteiga bonita e saborosa.” Apreciados pelos europeus, os produtos do “leite de jersey” ganharam ràpidamente a preferência dos gaúchos, cariocas e cearenses, posteriormente dos demais brasileiros, tornando-se a segunda raça leiteira em expressão nacional.

Reunindo o rebanho ITAEVATÉ, no Castelo de Pedras Altas
Talvez não pensasse nosso patrono que a Jersey chegaria ao lugar de destaque ocupado atualmente, no final do século XX sendo considerada pela imprensa especializada norte-americana como “A LEITEIRA DA DECADA 2000”, ou “A LEITEIRA DO MILÊNIO”.


Em 1905 Assis Brasil iniciou o PEDRAS ALTAS HERD-BOOK, controle inicial da raça Jersey no Brasil, no ano de 1915 passando para a Secretaria de Obras Públicas – Diretoria de Agricultura, Indústria e Comércio do Rio Grande do Sul.

Rodrigo de Assis Brasil Rocha mostrando original
do Pedras Altas Herd-Book, em 1998
Sòmente no ano de 1930 a raça Jersey foi oficializada no Brasil, pelo Ministério da Agricultura, graças à iniciativa de D.Joaquina de Assis Brasil, filha do nosso patrono, sendo os primeiros exemplares brasileiros P.O. da raça Jersey, a partir do Herd Book de Pedras Altas, nele inscritos.

Eduardo Duvivier, o primeiro presidente da
Entidade Nacional no RJ, 1938
No Rio de Janeiro, em 1938, foi fundada a Associação dos Criadores de Gado Jersey-ACGJ, entidade de caráter nacional tendo como presidente Eduardo Theodoro Duvivier, sòmente em 1941 iniciando o Herd-Book da Raça Jersey no Brasil que tem, como primeiro registrado com HBB 1, lançou o touro Bororó de Jacarepaguá, embora no RS já houvessem vários animais registrados no Pedras Altas Herd-Book  e, em sequência, no Herd-Book da Raça Jersey do Rio Grande do Sul.

O primeiro registrado no Herd-Book Brasileiro, após a fundação da ACGJ no Rio de Janeiro ,
Bororó de Jacarepaguá
Em 1940, a Prefeitura Municipal de Ijuí já investia na raça Jersey, adquirindo touros puros que ficavam disponíveis para os criadores que quizessem utilizá-los no melhoramento de seus plantéis. Neste mesmo ano, Francis Walter Hime assume a presidência da ACGJ.

Dois touros oferecidos pela Prefeitura de Ijuí/RS, em 1940, aos leiteiros daquela região
De 20 a 23 de setembro de 1942, foi realizada a I EXPOSIÇÃO DE GADO LEITEIRO, em Pelotas, com a raça Jersey presente, com a seguinte comissão: Comissão de Organização: Jurado de Jersey: agrº Glacy  Pinheiro Machado; Secretário: engº agrº Waldemar Oliveira;  Concurso de Ordenhadores: vetº Gaspar F.Teixeira, engº agrº Waldemar Oliveira, prático rural Samuel de Souza; Concurso Leiteiro: agrº Acimar Noronha; Marchant, Dr.Hélio Rosa, Dr.Waldemar Sinch; Prát.Rural: Raul S.de Souza

Em 1942, o jovem Antônio Carlos Pinheiro Machado com suas Jersey, Pelotas

De Santa Vitória do Palmar, a 24 de novembro de 1944 o Sr.Otávio Frontino de Souza escreve para o JORNAL SUL DO ESTADO:

“Acaba de ser adquirido, pelos srs.Dr.Cândido Auch Ribeiro, Dr.Justino Amonte Anacker, Franklin Echeverria, ErnestoMaximila e Osvaldo Auch, um excelente lote de vacas Jersey do estabelecimento pastoril da sra.Maria Cecília Bento de Souza (Capão do Leão, Pelotas). É a primeira vez que entra gado Jersey em Sta.Vitória, segundo nos consta, e é de se crer posto que o que mais interessa ao homem do campo é o gado de corte. ... É preciso coragem, muita coragem para introduzir uma raça excencialmente leiteira num meio em que por rotina só interessa as raças de corte. Aos adquirentes do lote Jersey, os quais consideramos os pioneiros da indústria do leite neste município, enviamos os nossos cumprimentos. O lote em apreço foi adquirido por intermedio do Sr.J.Nelson Ferrari representante, nesta cidade, do estabelecimento pastoril da Sra.Maria Cecilia Bento de Souza.”
“Concorreram à XXI Exposição, nos dias 2, 3 e 4 do corrente, 9 vaquilhonas Jersey, onde as mesmas foram classificadas em 1º lugar pelo seu grau de sangue 31/32, produto este vindo da Granja Maria Cecília, de propriedade do Sr.Otavio Frontino de Souza (Capão do Leão, município de Pelotas), representante nesta cidade o Sr. J.Nelson Ferrari. Os que adquiriram os animais foram os seguintes: Sr.Aniceto Rodrigues, Sr.Vita Corrêa, Sr.Rosalvo Silva, Sr.Serafim C.de Mello e Sr.Amaro Rodrigues. Produto este de grande produção de leite e manteiga, pode se ter em um pátio, são pequenas, de pouca alimentação e manças”.
“AGRADECIMENTO: Venho pelo meio destas colunas agradecer o gesto nobre da maneira carinhosa que tive no meio ruralista nesta cidade, por todas as pessoas que me foram apresentadas pelo Sr.Nelson Ferrari, não podendo olvidar o líder ruralista Conrado Guimarães, e também o bondoso Sr.José Leston que abriu mão de tudo para melhor me servir. Ao meu representante, Sr.Nelson Ferrari, pelo seu modo sincero e franco, não tenho palavras para agradecer o mesmo.”


Quarenta e nove anos após a introdução da Jersey por seu pai, D.Joaquina Francisca de Assis Brasil tornou-se a primeira mulher a julgar um certame rural no Brasil, justamente na raça Jersey e em Pelotas-RS. O ano era 1945.

Maria Cecília Bento, expondo em Pelotas no ano de 1945
Incentivados pelo presidente da Sociedade Agrícola de Pelotas, Dr.Guilherme Echenique Filho, e pelo técnico da Secretaria da Agricultura do RS responsável pelo registro da raça Jersey no sul do estado, Dr.Mário Burck Santos, um grupo de pecuaristas da região de Pelotas fundou a Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul, cabendo à filha de Assis Brasil, carinhosamente conhecida como “D.Quinquinha”, presidir a primeira diretoria, 52 anos após a entrada da Jersey nos campos gaúchos. Oficializada imediatamente junto à ACGJ e ao MA, por vários anos alem do registro de seus rebanhos contemplou, com seu organizado e eficiente trabalho, aos criadores catarinenses, paranaenses e cearenses. 

Ata de Fundação da Associação de Criadores de Gado Jersey do RS

         No dia primeiro de setembro de 1948, às vinte horas , no salão da Sociedade Agrícola de Pelotas , à rua 15 de Novembro n º 556, presentes os infrascritos, foi deliberada a imediata fundação da Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul.     A reunião foi aberta pelo sr.engºagrº Paulo Luis Oliveira de Boer, secretário da Sociedade Agrícola de Pelotas.
         Após, foram lidos pelo secretário  o estatuto da futura Associação, apresentados pelo sr.Ibsen Vianna, e que foram aprovados sem restrições. Em meio de grande entusiasmo, foi logo aclamada e empossada a primeira Diretoria, que assim ficou constituída:
         Presidente – Snha.Joaquina de Assis Brasil; Secretário - João Rouget Perez, engºagrº; Tesoureiro - Paulo Gastal, dr.; Diretores - Ibsen Vianna e  Fernando Assumpção, engºagr; Suplentes - Maria Cecília Bento e  Mário Mendes de Mattos; Conselho Fiscal - Carlos Alberto Ribas,  João Larangeira Filho e  José Lafayette Leite, medºvetº
Em seguida, fez uso da palavra o dr.João Rouget Perez, agradecendo em nome dos criadores de Jersey e da Associação que vinha de ser fundada, a nobre cooperação da Sociedade Agrícola de Pelotas pela iniciativa , e à exma sra.DªLydia de Assis Brasil pela presidência da primeira reunião. Prosseguindo, em elevadas considerações, o dr.João Rouget Perez  solicitou à Assembléia um voto de louvor e de saudade em memória imperecível do dr.Joaquim Francisco de Assis Brasil como o maior difusor do gado Jersey no Brasil. O dr.Guilherme Echenique Filho agradeceu a homenagem e referências feitas à Sociedade Agrícola de Pelotas e, em nome da Exma.Sra.DªLydia de Assis Brasil, as honrarias prestadas ao seu inesquecível esposo.
         Nada mais havendo a tratar, foi a reunião encerrada e, do que houve para constar, eu Paulo Luis de Oliveira Boer lavrei a presente ata, por todos assinada.
Assinaturas: Paulo Luis de Oliveira Boer, Joaquina de Assis Brasil, João Rouget Perez, Fernando Augusto de Assumpção, Ibsen Ferraz Vianna, João Larangeira Fº, Olavo Alves Júnior, José  A Collares, Carlos Alberto Ribas, Eduardo Gastal Júnior, Mário Baptista Mendes de Mattos, Maria Augusta Assumpção Rheingantz, Paulo Gastal, Rafael Dias Mazza, Maria Cecília Bento, Guilherme Echenique Filho, Octavio Leivas Leite, Edmuindo Chaves Berchon des Essarts, Jayme Soares de Oliveira(Diretor da E.Ag.RS), dr.Antonio C.Duarte, José Lafayette Leite, Helena de Assumpção, Gomercindo Carvalho, Lydia de Assis Brasil.

Fausto Bebiano Martins, presidente da ACGJ do RJ em 1948
Em 1954 os livros de registro de Jersey do Rio Grande do Sul foram centralizados no Rio de Janeiro. Na década de 70, face ao não interesse dos cariocas em mantê-la, e dos gaúchos em assumi-la, passou a ACGJ para a cidade de São Paulo-SP, onde continua até hoje, com a denominação de “Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil- ACGJB”.

O primeiro livro do Herd-Book  Riograndense da Raça Jersey
Nos primeiros 26 anos a Associação teve grande ação nos assuntos referentes a registro genealógico, exposições, comercialização e mostras nacionais, estaduais e municipais de gado Jersey, bem como na obtenção de recursos e subsídios dos governos, estadual e federal, para o custeio e manutenção das atividades referentes à raça. Alem dos presidentes, diretores e criadores gaúchos de Jersey, deram-nos importante apoio e atenção os saudosos deputados Osmar Grafulha e Ary Rodrigues Alcântara, tanto na esfera estadual como na nacional. Mas coube aos técnicos Mário Burck Santos, Flávio Abrantes, Antônio Carlos Pinheiro Machado e Heraclides Santa Helena, o trabalho de apoio à diretoria, tornando viáveis os diversos e bem sucedidos eventos nesse período. A luta pelo oficialização do contrôle leiteiro, a divulgação do concurso leiteiro em exposições, e a formação do 1º Conselho de Jurados da Raça Jersey (9/12/1962), foram sempre solicitados, incentivados e apoiados por Mário Mendes de Mattos. O trabalho iniciado em 1948 pelos fundadores da ACGJRS até o ano de 1974 contribuiu para a evolução e valorização da raça, com a conseqüente melhoria genética dos rebanhos gaúchos, fornecedores de matrizes e reprodutores para todo o Brasil.

Flávio Abrantes, zootecnista da ACGJRS, em sua sala em Pelotas
O estabelecimento de um escritório com bar no Parque de Esteio, e o início dos leilões nas exposições devem, tambem, ser citados como trabalho de jersistas empreendedores, como Fernando Carúccio, João Jardim, Elton Adão Butierres, José Moura de Souza, e muitos outros.

A bela Casa do JerseyRS, em Esteio, construída em 1991/92 e inaugurada em 1993
O quadro social da ACGJRS alcançou seu ápice em 1990, com 526 associados, alguns anos após sofrendo reduções progressivas inclusive no registro de animais, mas a raça continuando a crescer em quantidade e qualidade por todo o Rio Grande do Sul, os serviços informatizados tornando-a uma entidade atualizada e moderna, eficiente e viável, executora com presteza do serviço de registro do rebanho gaúcho e fornecendo o apoio necessário aos associados e interessados em seu desenvolvimento. A fundação de núcleos regionais, cujo primeiro ocorreu nas Missões na década de 50, foi ativada a partir de 1987, colaborando para a evolução da Jersey por todo o Rio Grande do Sul, e foram responsáveis pelo fomento e multiplicação da Jersey por todo o estado.
A simples “sala emprestada” pela Associação Rural de Pelotas, na rua XV de Novembro 728-A, foi substituída por uma eficiente “Sede Social” no Parque Ildefonso Simões Lopes, da Associação Rural de Pelotas, graças ao empenho dos então presidentes José Moura de Souza e Paulo Quintana.

Sede Social da ACGJRS, em Pelotas, inaugurada em 1987
Aquele pequeno “stand” em Esteio obtido pelo empenho dos presidentes na época, Fernando Carúccio e Elton Butierres, deu vez à moderna “Casa do JerseyRS”, no Parque Assis Brasi - Esteio, planejada e construída graças à dedicação de José Antônio Ibañez de Lemos, engenheiro, criador e diretor, dotando os jersistas gaúchos de ótima infraestrutura para os serviços de registro, exposições, controle e torneios leiteiros, leilões, palestras, reuniões, e recepção às autoridades, criadores, políticos e técnicos de todos os cantos do mundo jersista. O projeto, aprovado após diversas reuniões de diretoria, teve como autor o arquiteto Matte.

José Antônio Lemos (d), Álcio Azambuja, o arquiteto Matte e Clariton T.Silva (e)
Nos mais importantes eventos gaúchos e brasileiros, a JerseyRS participou, e participa, com destaque, em especial nas exposições realizadas em Esteio (Expointer e Expoleite) onde, a partir do final da década de 1980, muitas vezes foi a raça com maior número de inscrições a galpão e de matrizes comercializadas dentre tôdas as espécies.
No interior do RS, com raríssimas exceções, a Jersey tomou conta das mostras leiteiras e agropecuárias, sempre com grande liquidez, firmando a cada exposição sua posição no meio agropecuário, e no leiteiro em especial.

Vacas concorrendo na Expointer dos 70 anos de fundação da ACGJRS
A ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO RS é responsável pelos controles genealógico e zootécnicos da raça no estado, dando continuidade ao trabalho visionário de Assis Brasil continuado por sua filha, carinhosamente conhecida como “D.Quinquinha”, e pela orientação e estímulo necessários para a melhoria dos rebanhos, sempre gozando de excelente conceito e irrestrito apoio da Associação Rural de Pelotas, parceira permanente do sucesso que alcançamos. Na Sede Social, e na Casa do JerseyRS, painéis fotográficos, quadros pintados por jersistas e outros artistas, placas comemorativas e lembranças diversas, decoram seus interiores simples e funcionais, lembrando o glorioso passado, o árduo presente, e o esperançoso futuro da raça Jersey.

Interior da Casa do JerseyRS, em 1992 antes da inauguração
Funcionários dedicados, técnicos de alto nível, diretores atuantes, associados apaixonados fizeram, e fazem desta entidade modelo em sua atividade por todo o Brasil.

Uma das diretorias da ACGJRS
A seguir, alguns dos que possibilitaram a existência desta importante e tradicional associação de criadores de gado Jersey:

PRESIDENTES:
1948/1950 – Joaquina de Assis Brasil; 1950/1952 – Fernando AugustroAssumpção; 1953/1954 e 1955/1956 – João Rouget Perez; 1957/1958 e 1967/1968 – Mário Mendes de Mattos; 1959/1960, 1961/1962 e 1965/1966 – Arno Brauner; 1963 a 1964 – Guilherme Echenique Filho; 1969/1970 e 1981/1982 – Fernando Carúccio; 1971/1972 – Paulo Mendonça; 1973/1974 – João Salvador Jardim; 1975/1976 – Nilo Chagas de Azambuja; 1977/1978 e 1979/1980 –Elton Adão Butierres; 1983/1984 – José Moura de Souza; 1985/1986 – Paulo de Tarso Quintana; 1987/1988, 1989/1990,  2001/2002 e 2003/2004 – Carlos Alberto Teixeira Petiz; 1991/1992 e 1985/1986 – Carlos Guilherme Rheingantz; 1993/1994 – Elton Butierres; 1997/1998 – Victor Hugo Souza Porto; 1999/2000 – Jorge Luiz Martins; 2005/2006 – José Fernando Quadros de Leon; 2007/2008 – José Flávio Vieira de Vieira; 2009/2010 – Nilton Rodrigues Paim; 2011/2012 – Fernando Müller; 2013/2014 e 2015/2016 – Cláudio Nery Martins; 2017/2018 – Álvaro do Amaral Peixoto  e Álcio Azambuja de Azambuja.

RESPONSÁVEIS e SUPERINTENDENTES DO SRG
Mário Burck Santos, engº agrº; Flávio Abrantes, engº agrº; Clariton Tavares Dias, medº vetº; Carlos Guilherme Rheingantz, engº agrº.

INSPETORES DE REGISTRO
Mário Burck Santos, medº vetº; Antônio C.Pinheiro Machado, engº agrº; Flávio Abrantes, engº agrº; Roberto Silveira, medº vetº; Clayrton Evelin Marques, medº vetº; Clariton Tavares Dias, medº vetº; Arthur Garcia Cademartori, medº vetº; Flávio Oedmann, medº vetº; José Flávio Vieira de Vieira, medº vetº; Apes Roberto Falcão Perera, engº agrº; Roberto Nardi, medº vetº; Lilian Müller, medª vetª; Silvana Lüdtke Carrilhos Haertel, zootª; Eduardo Lammel Blauth, medº vetº; João Almir Bondan, medº vetº; Rodrigo Braz Marçal, medº vetº; Eduardo Motta Caminha, medº vetº; Frederico Trindade, zootª.

APOIO ADMINISTRATIVO
Gilda Gomes Rosiski, 1979; Angela Marfisia Gerlow, 1983; Jaime Gilmar Silva Fernandes, 1984; Jader Roberto Genske Miranda, 1984; Marco Antônio Pereló Moraes, 1986; Miria Elizabeth Borba Alves, 1987; Rosani Figueiredo de Ávila, 1989; Maria Regina Teixeira Macário, 1989; Angela Beatriz Ferreira da Costa, 1989; Maria Júlia de Freitas Moreira, 1989; Eliana Ferreira da Costa, 1990; Eva Lúcia Centeno Nunes, 1990; Flávia Gadonski Ávila, 1990; Leila Molina, 1991; Luciano Harter, 1991; Roger Dias Camargo, 1993; Elgia Freitas Soares, 1993; Maurício Leal Vignolle, 1995; Marilaine Gonçalves, 1995; José Henrique da Costa Cardoso, 1995; Osmar Luiz Carriconde Souza, 1996; Mara Regina Teixeira Macário, 1999; Vera Maria Cardoso da Fonseca; Evelyn Castro da Silva; Vinicius de Lima Raubach, 2009; Rosangela Gonçalves Muñoz, 2011; Silvana Lütke Carrilhos Häertel, 2016


Márcio Spallone, zootecnista, Natália da Silva, estagiária, e Carlos
Alberto Petiz, criador e juiz da raça Jersey

Silvana Carrillos Haertel, secretária do SRG da ACGJRS

Vinicius Raubach, secretário geral,
e Hortência Dias, estagiária há 4 anos