sábado, 8 de dezembro de 2018

TAURAS DA RAÇA JERSEY "XXXIV" - FERNANDO ANTÔNIO DE AZEVEDO REIS




FERNANDO ANTÔNIO DE AZEVEDO REIS nasceu em Jundiaí/SP em 17/10/1961, filho da carioca Terezinha Azevedo Reis e de Paulo Ferraz dos Reis - nascido em Cristina/MG. Animado, simpático e de fácil relacionamento, é um dos personagens mais importantes em se tratando de Jersey & Associativismo Jersista no Brasil.


Participante ativo, diria indispensável, nas últimas duas gestões prestou, e presta, relevantes serviços para nossos jersistas: mistura sua excelente curiosidade e conhecimento sobre a pecuária leiteira, a raça Jersey em especial, com suas carismáticas e divertidas participações em algumas exposições, palestras e eventos, propiciando em sua bela e organizada propriedade algumas visitas que, com toda simplicidade, deveríamos denominar de “dias de confraternização do Reis”.


Difícil de fazê-lo falar nele mesmo, o que abaixo transmito dispendeu-me mais de dois anos de “conversa fiada”, sempre muito agradável como não poderia deixar de ser com Fernando Reis, e tenho muito prazer em transcrever alguns trechos para nossa cada vez mais fraterna comunidade jersista. 

Fernando Reis, em nossos grupos do whats app, é querido por todos, e suas infinitas perguntas são misturadas de técnica e sadia ironia, caracterizando este engenheiro, mineiro-paulista inventor do “garupômetro” ainda não patenteado - cuja finalidade dispensa apresentação.

Não foi uma entrevista, foi uma verdadeira inquirição (!!!), a seguir em negrito o que Fernando deixou escapar e, em fonte normal minhas considerações. Fernando Reis, sem sombra de dúvida, é um dos grandes jersistas brasileiros e, embora engenheiro calculista, é um zootecnista inato e hábil ou, se preferirem, nato e talentoso. Tive o prazer em conhecer Fernando, e seu pai Paulo Reis, ao julgar a Exposição de Itajubá em 1993.


Do autor: Há boatos de que é um dos maiores acionistas da única fábrica de helicópteros da América Latina, a HELIBRAS – única do hemisfério sul, com parceria Brasil e França - talvez por ele instalada em Piranguinhos/MG em tempos mais remotos, assim como o provável inventor dos pé-de-moleques tradicionais e famosos da sua região. E, importante, divide com o Cláudio Martins o título, inédito, de MELHOR SURFISTA NA RAÇA JERSEY. Tive a grande honra, diria até prazer, ao julgar uma exposição em Itajubá, a convite de seu inteligente e cordial pai, em 1992 ou 1993 – não lembro bem o ano, chamando-me à atenção a alta qualidade dos animais expostos.



Fala Fernando Reis: “Meus avós maternos eram Dr. João Sebastião Ribeiro de Azevedo, médico nascido em Angra dos Reis/RJ, e D. Ana Faria de Azevedo, conhecida como Donana, nascida em Itajubá/MG, cujo pai foi o primeiro a levar gado da raça Holandesa para aquela região no sul de Minas; o irmão de Donana foi o principal criador de Holandês nessa região, criador e proprietário da recordista nacional de produção, de nome Jarrinha, recebendo das mãos do gaúcho Getúlio Vargas a merecida premiação. Chegou a criar Jersey, depois vendendo-as para seu amigo Ovídio Gomes, pai de Severo Gomes (da Tecelagem Paraíba), dando início ao depois destacado criatório Santana do Rio Abaixo. Meus avós paternos, Antônio Eugênio dos Reis, comerciante, e Maria Cândida Ferraz dos Reis, professora, eram naturais de Cristina/MG


“Morei em Jundiaí até 1973, mudando-me para Santos - onde aprendi a surfar e andar de skate – até ser admitido na Universidade. Nunca me imaginei criador de gado de leite e, em 1980, entrei para a Universidade de Mackenzie, São Paulo. Formando-me em engenharia civil, exerço essa atividade até hoje, combino-a com a apaixonante criação de Jersey no Sítio Boa Esperança, em Piranguinho, sul de MG.


“O início da criação deu-se em novembro de 1988 quando papai, aí aposentado como engenheiro, adquiriu 8 novilhas do Anardino Costa - Fazenda Itacaí, em Cachoeira de Minas - que era amigo de juventude do meu tio Luiz Fernando Faria de Azevedo, deputado e irmão de minha mãe. Esses animais eram muito bons, e executávamos o controle leiteiro pela ABC, registrando vários nos Livros de Escol e de Mérito.


José Henrique Jacarine: Fernando é uma pessoa muito especial, que sempre gostou de falar dos graus de parentesco dele: a avó materna do Fernando era irmã de meu avô materno. Lembro-me dele, quando éramos pequenos, brincando na casa da cidade de sua avó – Fernando sempre morou fora. Quando me formei, vim para Itajubá onde eu tinha uma ligação muito grande, por causa de meu tio, no Parque de Itajubá, e fui contratado para dar o suporte veterinário numa exposição, em 1990 ou 91, quando iniciou a participação de Jersey em função de tio Paulo Ferraz, do dr.Paulo Maurício e de Wanderlei Xodó, os três fortes criadores da região que trouxeram a Jersey para cá. A primeira fazenda que passei a dar assistência veterinária foi, justamente, a do tio Paulo - em Piranguinho - engenheiro muito inteligente e estudioso de todas as atividades por ele abraçadas, e que havia comprado algumas novilhas do Anardino Costa, e já estava produzindo leite. Eu mantinha pouco contato com o Fernando, que pouco ia a Piranguinho, mas com a morte de seu pai ele assumiu a propriedade e, assim, passamos a ter um contato mais direto. Nesses anos todos que estamos juntos, êle absorveu muito do pai nessa questão de ser independente procurando entender e estudar tudo no que se envolve, para melhor fazer, e nossa relação sempre foi muito saudável, não só no sítio como no Sindicato Rural de Itajubá, onde o Fernando foi diretor chegando a presidente, e nosso relacionamento foi sempre próximo, êle uma pessoa sensata, tranqüila, ponderado. Sempre troquei muitas idéias com Fernando, principalmente em momentos difíceis de minha vida e na raça Jersey, e muitas vezes, brincando, julgou comigo em exposições.


Nessa foto, o magrela sou eu, e tem uma senhora na frente, noutro plano, que é a d.Elza – esposa do dr.Paulo Maurício – na frente a Giselda e, recebendo o prêmio, o dr.Paulo Maurício, o dr. Edgardo Ecktor Perez - pessoa excelente a quem devo minha entrada na ACGJB por volta de 93. Meu sucesso profissional foi por conta da raça Jersey, na qual trabalho até hoje, e pela qual conheci algumas partes do mundo, graças ao start dado por meu tio Geraldo Jucoca que propiciou meu convívio com essa raça, assim como Paulo Ferraz. Ferenando Reis é uma pessoa muito especial, especial para todos que convivem com ele dentro da raça Jersey, na família, nas amizades, pessoa muito querida, e tenho certeza de que já contribuiu muito para a Jersey, seja doando seu tempo como diretor, como criador, como fomentador, como amigo, e só posso agradecer a êle e seu pai por essa confiança.



“Meu pai, na sua infância, seguidamente estava na fazenda de algum tio criador de Jersey, o que lhe motivou a também fazê-lo ao aposentar-se. Homem muito inteligente, chegou a vice-campeão brasileiro universitário de xadrez, e jogava contra até 5 adversários, memorizando todas as partidas durante seu desenrolar.
“A partir daí a base do rebanho foi sendo montada com aquisição de 8 embriões de animais importados da Kelvin Genetics, da compra de 5 vacas POI e de outros animais de origem de tradicionais rebanhos nacionais como Cabanha Pinhal em Avaré-SP (de Oto Ribeiro Leal), Fazenda Uirapuru em Itatiba – SP (de Pedro de Barros Mott), Cabanha Butiá em Passo Fundo - RS (de Ronald Bertagnolli), Fazenda Nogueira Montanhesa em Piracaia – SP (de Nei Borges Nogueira) e, recentemente, da Estancia João Luis de Cosmorama – SP (de João Luiz Calliari).”



De João Luiz Cavallari: Fernando Reis é mais do que um irmão que a raça Jersey me deu. Falamos quase diàriamente, pelo whats app ou telefone, sobre problemas pessoais, idéias e experiências, sendo o assunto predominante as Jersey. Sempre trocamos dados sobre nossas propriedades, financeiros e, principalmente, zootécnicos, sobre nosso manejo e experiências positivas e/ou negativas. Uma pessoa super do bem que está sempre pensando positivo e animadamente. Brincamos muito no particular e, também, algumas vezes nos grupos do Jersey. Viajamos duas vezes juntos, marcando muito: uma viajem de uma semana, pelo sul – PR e SC – visitando jerseys e seus manejos; outra de dois dias pela serra da Mantiqueira. 


Na realidade foram 3 viagens, pois a primeira foi com o Marcelo Xavier pelo sul de MG, visitando produtores, durante a qual falamos muito sobre a nossa associação, e o que poderíamos fazer para melhorá-la. Uma coisa que me deixou muito orgulhoso foram as três visitas de Fernando em meu estabelecimento rural, no último evento que organizei, para o qual indicou-me trazendo Agostinho para adquirir animais meus e, por fim, ele mesmo comprando alguns para seu ótimo plantel. Senti-me muito prestigiado por esse irmão verdadeiro, pessoa do bem, honesto acima de tudo, que não deixa de expressar suas opiniões mesmo que contraditórias às minhas ou às de quem quer que seja. Admiro muito sua postura e amizade, e agradeço à associação pois, sem ela, não teria conhecido este grande irmão, o mineiro paulista Fernando Reis, o inventor do garupômetro.



Seu gosto pelas Jersey surgiu aos poucos devido ao intenso convívio com seu pai que, aposentando-se em São Paulo, voltou para o sul de Minas onde passou a criar essa raça. A forma organizada como foi conduzida a criação atraiu o interesse de Fernando que, com muita calma e prudência na criação, aos poucos foi aumentando o plantel.


Paulo Ferraz dos Reis participou e ajudou a organizar exposições em Itajubá no final da década de 80 e início dos anos 90, período em que a Jersey contava com muitos criadores no estado de MG e quando foi criado o NUGAJE–NÚCLEO DE GADO JERSEY DE ITAJUBÁ. Leilões de Jersey foram organizados, e realizados, na cidade, passando a participar de exposições do ranking mineiro onde chegou a fazer a grande campeã na última etapa do circuito mineiro de 1992, em Ouro Fino, com quase 200 animais julgados pelo canadense Gary Bowers: sua vaca PINHAL BEACON POEMA conquistou o Grande Campeonato e o Melhor Úbere da Exposição. Era um “vacasso”!!


Com o falecimento de seu pai em 1997, residindo em São José dos Campos/SP, dois anos após mudou-se para Itajubá/MG, passando a cuidar do Sítio Boa Esperança em Piranguinho/MG. Foi um período em que deixou de participar de exposições e eventos da raça, muitos criadores nem sabendo que essa criação de Jersey continuava após o falecimento de Paulo dos Reis.


Um dos momentos cruciais foi quando seu amigo, Agostinho de Moreira Mesquita - criador em Cambuquira/MG - fazendo uma visita verificou que estava com as comunicações de coberturas e nascimentos atrasadas devido ao período de doença de seu pai, naquele momento Fernando não sabendo se continuaria a registrar. Agostinho, sabendo da qualidade genética dos animais, aconselhou-o e ajudou-o na regularização das comunicações, ficando seu amigo “eternamente” agradecido.

De Ricardo Paez: A nossa raça foi agraciada em ter o Fernando como membro destacado desse universo chamado “Jersey”. Seu perfil de inteligência e simpatia contribui sobremaneira para o crescimento da nossa pequena notável. Todos nós o reverenciamos, pois não é comum encontrarmos criadores que, além de conhecer os meandros da Raça, emprestam suas riquezas pessoais em prol de uma paixão maior. Fernando expressa o que de melhor existe nessa empolgante e desafiadora arte de criar animais diferenciados em produção e beleza. Todos nós o reverenciamos.



Nestes 30 anos do Sítio Boa Esperança, o foco foi sempre ter animais de boa produção leiteira com boa conformação, e na rentabilidade com sustentabilidade da propriedade. Nos últimos anos tem mantido um plantel de 120 jerseys PO, de mamando a caducando, com produção média de 1000 litros /dia, colaborando na formação de vários planteis jerseys com os bons animais de afixo PFR, letras iniciais de Paulo Ferraz dos Reis, comercializados de forma personalizada com seus conhecidos.


No sentido de divulgar a raça e colaborar com a associação, foi organizador de várias exposições ranqueadas na cidade de Itajubá onde reside. Organizou, e realizou, a primeira etapa do primeiro circuito nacional da raça Jersey em 2016, que ocorreu em Itajubá. É o atual Diretor Tesoureiro da ACGJB e também do Sindicato Rural de Itajubá.


De Cristiano Nogueira Campos: Fernando é uma pessoa fantástica, que eu conheci através do Jersey. É o nosso contador de estórias e causos, grande companheiro de viagens, pessoa simples com coração enorme, e paciência maior ainda. Um cara que ama muito a raça Jersey vivendo-a intensamente no dia-a-dia, com quem tive a alegria de conviver nestes últimos anos: eu como superintendente e ele como tesoureiro de fácil relacionamento com as pessoas, um craque apaziguador de ânimos. É um companheiro para todas as horas, no Jersey e fora dele, pessoa que aprendi a admirar e muito me alegra de, hoje, poder falar que somos amigos, e que estreitamos nossos laços nestes anos de associação. Fernando mereceu a Medalha do Mérito Jersista, com todo o louvor por tudo que ele tem feito pela Jersey desde o pai dele até hoje, uma pessoa impar para nossa associação e raça.



Trabalhando, como se diz, em silêncio, procurou utilizar bons touros Jersey no seu rebanho, como Renaissence, Opportunity, Perimiter, Counciller, Dunkirk, Fusion, Sultan.
Em 2007 Fernando assumiu a presidência do Sindicato Rural de Itajubá, passando a organizar exposições que, no início, não eram especificas da raça Jersey, apenas em 2011 realizando uma etapa do ranking mineiro, Fernando lev ando apenas uma vaca longeva conquistou o reservada campeã nacional: PFR-236 PAMELA COUNCILLER.


Posteriormente levou a PAMELA COUNCILLER na Megaleite em Uberaba sagrando-se grande campeã, numa exposição que não chegou a ser ranqueada devido a apenas Fernando, Luis Carlos Paduan e Anselmo Vasconcelos terem levado animais, e o regulamento só previa ranqueamento com a participação mínima de cinco expositores.
Em 2014 foi o segundo melhor expositor e criador do ranking mineiro. Em 2015 organizou a viagem ao sul de minas com a presença de mais de 50 criadores de 7 estados brasileiros visitando 4 fazendas em 4 municípios da região. Foram momentos de confraternização e aprendizado numa belíssima paisagem das montanhas de Minas. Em 2016 passou a ser Diretor Tesoureiro da ACGJB e neste mesmo ano ajudou a organizar a 1ª etapa do Circuito Nacional da Raça Jersey, que foi realizada em Itajubá MG. 


De Lilian Kaskanlian: falar sobre o Fernando Reis não é difícil, é uma honra. Trabalhar ao seu lado durante sua gestão financeira na associação foi uma experiência gratificante e um enorme aprendizado. Êle lida com os números de uma forma calma e muito claro em tudo que apresenta. Quando precisava repetir o que me pedia, ele mudava a forma para deixar tudo bem claro e, quando percebia que eu não sabia executar, começava novamente e me ensinava a fazer aquilo que estava me pedindo. Levar ao Fernando um problema não era problema, ele com calma analisava o assunto e logo nos trazia a melhor solução, que era sempre ENTENDER o problema e o PORQUE do problema para que a solução viesse naturalmente. É uma pessoa humana, família, e que possui um amor pela raça que não consigo mensurar o tamanho, nunca medindo esforços para levar a associação para o caminho certo pois, na minha opinião, foi isso que ele deixou para a próxima diretoria: a associação no caminho certo. Trabalhar com êle foi muito gratificante, sou muito suspeita, e o fiz com o coração.



Em 2017 voltou a organizar novamente a etapa de Itajubá no Circuito Nacional e, dentre as diversas boas classificações dos animais expostos pelo Fernando Reis , temos na etapa de Itajubá (2017) a PFR-545 MAGNOLIA SHANDON (campeã vaca 3 anos sênior), PFR-571 LILI COMERICA (reservada de campeã novilha sênior) e a PFR-391 SARADA SULTAN (reservada campeã vaca longeva). Nas exposições de 2016 e 2017 do circuito nacional em Itajubá, Fernando Reis foi o segundo melhor criador e expositor, ficando atrás do paranaense Nelci Mainardes.



Em 2018 participou da etapa de Guaratinguetá no 3º Circuito Nacional onde 2 animais de seu criatório vendidos ao amigo Marco Melhado se sagraram campeãs nas categorias adulta e longeva, sendo que a vaca PFR-493 BELINA MINISTER foi reservada grande campeã da exposição. Já a vaca exposta pelo Fernando, a PFR-571 LILI COMERICA foi reservada campeã vaca 3 anos senior.


No resultado final do 3º Circuito Nacional, as duas vacas vendidas ao Marco Melhado se classificaram, sendo a PFR-376 REALEZA MACKENZIE DUNKIRK (filha de um touro de sua criação) reservada campeã nacional longeva, perdendo apenas para a grande campeã nacional SURENA GILLER TENFEN.


Focado na produção leiteira, Fernando já passou por diferentes sistema de produção, iníciando no sistema tradicional de tratar no cocho após ordenha e soltar no pasto extensivo. Depois adotou o sistema de pastejo rotacionado em Tifton 85, e atualmente o gado em lactação está confinado em Freestall.


Sempre preocupado em ter animais de boa produção com bom sistema mamário, tem utilizado o genoma como ferramenta para situar seus animais, mas ainda prevalecendo o acasalamento feito na observação dos animais e a escolha do touro adequado para cada vaca.


O objetivo do Fernando é ter um rebanho mais uniforme possível com animais produtivos, precoces, férteis e de bom sistema mamário, sem equecer que “a vaca tem de ser bonita!!!”
Em 2018 completou 30 anos a criação de Jersey do Sitio Boa Esperança, afixo PFR e para sua grande satisfação, recebeu a “MEDALHA DE MÉRITO DA RAÇA JERSEY” na grande festa de encerramento do CNRJ 2018, e do ano jersista, realizado em Curitiba-PR no final de outubro último.



De Marcelo Xavier: Entusiasta e proativo, o Fernando ajudou-nos a organizar vários eventos do Jersey, com destaque para as Exposições de Itajubá/MG onde já foram realizadas duas etapas nacionais da raça. Tendo ainda organizado a caravana dos Jersistas, em Minas, com mais de 50 criadores de 7 estados diferentes, é uma das figuras mais queridas no  Jersey Brasileiro por seu carisma e dedicação à raça. Fernando ajudou muito a fortalecer o Jersey em MG, graças ao seu trabalho e dedicação Piranguinho – a Capital Brasileira do Pé-de-Moleque – se tornou, também, uma referência do gado Jersey no Sul de Minas (de Marcelo Xavier).





domingo, 2 de dezembro de 2018

TAURAS DA RAÇA JERSEY "XXXIII" - ÂNGELA MARASCHIN & MARCOS FREITAS


Ângela e Caco formam um casal ímpar na raça Jersey no Brasil. Parceiros na criação, ambos veterinários por formação e criadores por vocação, talentosos no manejo e no melhoramento de suas antigas linhagens, sempre acompanhados pelo veterano jersistas Gerzy Ernesto Maraschin, mestre inconstestável em pastagens e manejo de vacas leiteiras, e pelos seus jovens filhos Marcelo e Daniela, constantemente participando dos eventos regionais, estaduais e nacionais na raça por êles escolhida, nunca se omitindo quando necessário ou solicitado nos assuntos técnicos e sociais referentes à ACGJRS e ACGJB

2018 - Ijuí
Na década de 80 e 90 lembro-me, perfeitamente, de uma menina de olhos azuis apaixonada pelas Jersey, sempre acompanhando seus pais, D.Eneida e Gerzy Maraschin, em Esteio. Sorridente, simpática, educada e participativa.


1992 - Expoleite, Esteio, Simone (e), Ângela, Gerzy e Ênio Maraschin
com GEMA GRAÇA MIMA CHARRUA
Ângela nasceu em Porto Alegre/RS a 9 de abril de 1979, já fazendo parte da efusiva “família jersista gaúcha". Essa garôta cresceu, estudou, se diplomou em veterinária, e casou com Caco. Tiveram um casal de filhos, Marcelo e Daniela, também com o sangue do jersismo "inato".

2018 - Em Ijuí: Ângela, Daniela, Marcelo e Caco
“Nasci em porto Alegre a 10 de maio de 1967, 3º filho de cinco de Ely Souza de Freitas, professora, e Amilcar Montenegro de Freitas, arquiteto. Chamado de “Caco”, como meu irmão mais novo pronunciava Marcos, o apelido me acompanhou na escola, no quartel, na faculdade, e na vida toda”.


2014 - Caco com Dani e Marcelo, Fenasoja
Este o início do depoimento que Marcos “Caco” Souza de Freitas dedicou a este blog, mais especìficamente à série TAURAS DA RAÇA JERSEY que, neste capítulo, trata sobre o casal Ângela & Caco - destaques nacionais na criação e melhoramento na raça Jersey, e na produção eficiente de seu inigualável leite.


2011 - Grande Campeonato em Ijuí, com
GEMA DIVISA ODALISCA CHAIRMAN
Continua Caco: “Sempre muito ligado a todos os animais, minhas férias escolares eram sempre passadas na fazenda de um amigo, em Cidreira, onde podia fazer o que mais gostava: andar a cavalo e lidar com o gado. Estes momentos reforçaram minha ligação com o rural"Nunca tive dúvidas sobre minha profissão, médico veterinário, exceto aos 17 anos de idade quando pensei em ser domador de cavalos e largar os estudos, atitude prontamente repreendida por meu pai.


2018 - Dani e Marcelo herdaram o gosto do pai por cavalos

“Em 1986, servi no CPOR em Porto Alegre, e destaquei-me como “Cavaleiro do Ano” do curso de cavalaria, mesmo ano em que fui aprovado no curso de medicina veterinária na UFRGS. Formei-me em 1994, trabalhei com assistência a propriedades de bovinos de corte e leite em diversos municípios do RS. Tendo a Faculdade de Veterinária da UFRGS como referência, estava sempre em contato com professores e alunos, tanto para a realização de exames como para oportunidade de saída com alunos estagiários. Estes contatos propiciaram o encontro com Ângela.



“Em 1999 começamos a namorar, em 2000 passei a trabalhar na COOPERMIL, cooperativa de produtores de leite em Santa Rosa, noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Ângela ainda na faculdade, namoro à distância, 500 km de Santa Rosa à Porto Alegre. Em 2001, fui chamado por um concurso prestado ainda em 1994, e assumi como médico veterinário na Secretaria Estadual da Saúde, em Porto Alegre.”


2014 - Fenasoja
O casal assumiu em 2004, apoiados por D.Eneida, a bem sucedida criação de Jersey PO afixo GEMA (derivado de Gerzy Ernesto MAraschin) quando, por motivos profissionais, seu pai pensava em liquidar esse rebanho (vide o capítulo XIV  de TAURAS DA RAÇA JERSEY, neste mesmo blog).


2007, Três de Maio: D.Eneida e Marcelo (45 dias)
Ângela relembra: "A mãe sempre apoiou e acompanhou a criação, mesmo não sendo da área. Quando decidi retomar as vacas, em 2004, me apoiou e ajudou no que pôde. Adoeceu em 2009 e, a partir de 2011, deixou de aparecer nas fotos, falecendo em 2017. Ainda em 2013 e 2014,  ia às feiras acompanhar as crianças - para que a gente pudesse cuidar das vacas".

2010, Fenasoja: D.Eneida e Dani, Fenasoja
Ângela é proprietária, em parceria com seu marido Caco, da destacada nacionalmente CABANHA GEMA, sucedendo seu pai na criação de animais Jersey PO desde 2004, rebanho este formado a partir de 1961. Participando do CURSO PARA JURADOS DA RAÇA JERSEY em agosto de 2000, Esteio/RS, oficializado pela ACGJB, dois anos após  foi regulamentarmente homologada no COLÉGIO DE JURADOS DA RAÇA JERSEY NO BRASIL, após sua formatura em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS. Diplomou-se Mestre em Desenvolvimento Rural pela UFRGS em 2004 e, concursada, assumiu como Fiscal Federal Agropecuária do MAPA em 2007. Participou de dois cursos para Atualização de Jurados da Raça Jersey, no RS em 2012, e em SC em 2017, além de algumas reciclagens no RS.


2000 - Expointer, foto dos participantes do curso para jurados
Comenta Caco: “Em 2002, formatura da Ângela. As dificuldades da “cidade grande”, trânsito, segurança, distância do trabalho, motivaram-nos a pensar alternativas. 
“Após uma ligação do responsável pelo setor leite da Coopermil, a decisão foi tomada: vamos para Santa Rosa, arrendar uma propriedade por 5 anos, trazer as vacas do Maraschin e decidir pela continuidade, ou não, da criação. E foi assim, em 2003, arrendada uma área de 8,5 hectares na linha Divisa, interior de Santa Rosa.



“Para iniciar trouxemos quatro animais, duas vacas, uma terneira e uma novilha, para participarmos da Fenasoja e habilitar os animais para um financiamento. Nesta ocasião, a novilha J.Mendina ADA Resenha sagra-se Campeã Fêmea Jovem da exposição. Uma surpresa para nós pois nossas pretensões eram mínimas. Já era o prenuncio do potencial desta família de vacas.”



Embora jovem, Ângela foi Vice-Presidente da ACGJRS na gestão 2011/2012, e sua Conselheira Técnica na atual e em anterior, sempre acompanhando os principais eventos estaduais e nacionais da raça em companhia da família.


2014 - Fenasoja: D.Eneida, Gerzy, Daniela e Marcelo
Participando da organização da crescente FENASOJA, um dos mais importantes eventos agropecuários do Brasil, em Santa Rosa/RS, foi sua presidente na edição de 2014. Graças a seu empenho, a FENASOJA hoje é uma das mais disputadas exposições da raça Jersey no Rio Grande do Sul, com animais zootécnicamente importantes, e um dos torneios leiteiros mais concorridos e de alta produção na raça em nosso país, com alta premiação aos participantes em dinheiro.


2014 - Fenasoja
Atuou como jurada na Expofeira de Toropi (2006), Santa Maria (2006), Expofeira de Pelotas (2008), Expo Ventre – Bagé (2008), Expoleite – FENASUL (2009),  Efapi (Chapecó) – 2009, Alegrete (2011), Expoclara (2012), Festa do Colono – Itajaí (2014), na 4ª ETAPA DO I CIRCUITO NACIONAL DA RAÇA JERSEY – Esteio/RS (2016).


2016 - Expointer, CNRJ, julgamento de Ângela
Habilitados ao financiamento rural, em julho de 2004 vieram os outros animais oriundos da parceria do GerzyMaraschin com José Guerra Mendina, em Livramento, somando 22 entre vacas de leite, secas, novilhas e terneiras.



Caco acrescenta: “Ficamos nesta área, na Linha Divisa, até junho de 2007, quando fizemos uma parceria com Sérgio Francisco Cappellari, dono de um laticínio local. Nossa parceria era agora em 12 hectares, lá mantínhamos entre 22 e 28 vacas em ordenha em sistema de pastoreio e suplementação de concentrado e silagem de milho. Sempre acompanhando nossos índices de produção e reprodução, foi um bom momento da criação. Participando em todas as feiras e exposições ao redor de Santa Rosa, nossos animais foram mostrando-se bem competitivos, por produção e morfologia. A limitação de área contribuiu para o melhoramento genético, uma vez que nosso rebanho não poderia aumentar de 30 animais em lactação, o excedente sendo vendido e a seleção apertava.”


Ijuí: Rico (e), Carmen, Caco, Aline Cappellari, Gerzy, Ângela, George
Peroty, Sérgio e Carine Cappellari
Em 2011 GEMA ESTÂNCIA BAGAGEM ACTION MB-86 bateu o Record Nacional em Torneios Leiteiros - categoria até 36 meses, com a produção de 45,00 kg de leite em 3x/24 horas. Vendida para a Cabanha da Maya, ainda no mesmo ano venceu o concurso leiteiro na Exposição Nacional no Parque da Água Funda, em São Paulo/SP, com 39,00 kg de leite em 3x/24 horas. Emocionado com o resultado na Exposição Nacional, em 3 de novembro de 2011 Gerzy Ernesto Maraschin envia para o então presidente da ACGJRS, Fernando Müller, o seguinte e.mail:

De: Gerzy Maraschin - gerzy@terra.com.br - 3 de novembro de 2011
Caro Fernando: Como criador de jersey, e Presidente da ACGJRS, deves ser bem informado. Eis a boa e grande informação:
 Uma genética Jersey que vem bem orientada desde 1975. O criatório iniciou em 1961. Hoje, uma vaca dois anos, criada por Ângela e Caco, na Cabanha GEMA, de Santa Rosa, com 150 dias de parida e prenhe, venceu o Concurso Leiteiro da Exposição Nacional do Jersey, em São Paulo, produzindo 39,00 kg de leite por dia, sem artimanhas. Antes, havia vencido o Concurso Leiteiro da Expsição de Ijui, RS, atingindo 45,00 kg de leite por dia, batendo o RECORD nacional para animais com menos de 36 meses. E ganhou em SP, enfrentando artimanhas dos concorrentes.
Posso dizer que há Jerseys no RS capazes de responder aos desafios. Primeiro temos que identificar quais são estes Jerseys para se envolver e acreditar neles, sabendo que estarão nos desafiando.”
Um abraço, Maraschin




Em maio de 2013, num "dia de campo" com grande participação, os Maraschin receberam os jersistas de todo o estado, e mostraram suas eficientes instalações para o melhoramento da raça Jersey.

 
 

Segue Caco: “Aproximando-se o fim do contrato de parceria com o Cappellari, que era de 10 anos, começamos a procurar propriedades para comprar ou arrendar. Em 2015 encontramos um local que era “nossa cara”, com uma casa centenária a restaurar, açude, matos, muito verde e água. A limitação da área de 8,5 hectares nos obrigou a confinar as vacas.


Maturação de queijos dos Cappellari
“O conforto dos animais nos fez decidir pelo “compost barn”. Estudamos o sistema, visitamos vários já estabelecidos, fizemos o projeto e iniciamos a construção. Em novembro de 2016 alojamos os animais, compramos os animais que eram do Cappellari, e iniciamos nossa “carreira solo”. Com a capacidade do galpão para 60 animais e no momento da mudança com 28 em ordenha, foi traçado uma projeção de crescimento para a lotação gradativa das instalações, objetivo este que deverá ser alcançado no final 2019.”


2011 - Ijuí, Aline Cappellari com uma campeã
Os investimentos nas técnicas de reprodução como Transferência de Embriões, normal ou com fertilização “in vitro”, sempre estiveram presentes. Em 2005 coletaram suas melhores vacas, e GEMA BAGAGEM QUERÊNCIA SABER-TE é um dos resultados destes investimentos: foi a mãe da recordista 2011 e do primeiro touro afixo GEMA em coleta numa central de inseminação, GEMA MOCHILA BAGAGEM VALENTINO FIV, que vendeu mais de 10.000 doses de sêmen através da GENSUR. Noutro momento, fizeram outra coleta da BAGAGEM onde resultou o GEMA HERÓI BAGAGEM MINISTER, vendido para a Cabanha Cinco Salsos, de Cláudio Martins, em Aceguá/RS, e que se tornou pai de muitas vacas da Cinco Salsos. GEMA HERÓI foi, várias vezes, Grande Campeão de exposições no Estado do Rio Grande do Sul.



Acrescenta Caco: “Outros resultados das tecnologias de reprodução assistida são: Gema GLÓRIA Cuia Iatola FIV, mãe da Gema INDEPENDÊNCIA Glória T-Bone EX-91; Gema ICE Bagagem Valentino FIV EX-90; e ...




Gema ISCA Doutrina Valentino FIV EX-95 (a Grande Campeã na Expointer 2018 e no Circuito Nacional da Raça Jersey Etapa de Ijuí/RS, e a RESERVADA de GRANDE CAMPEÃ BRASILEIRA 2018).

E continua: “Ferramenta importante na história da Cabanha GEMA é o Controle Leiteiro. Iniciado em 2005, as amostras são mandadas mensalmente para a UPF - Universidade de Passo Fundo/RS, onde são feitas as análises de sólidos e ccs de cada  vaca. Estas informações são compiladas em relatórios, também mensais, muito utilizados na seleção dos nossos animais. Estes relatórios possibilitaram também quantificar o ganho por lactação a partir do novo sistema de produção adotado. Passamos de 6.046 kg de leite, para 7.274 kg de leite, ou seja, 1.228 kg de leite amais por lactação média de 305 dias.



“As Classificações Lineares são feitas, em todas as vacas aptas, pelo técnico classificador e medº vetº Artur Cademartori. Desde 2010 fazemos, pelo menos, uma classificação anual para este fim, e notamos a evolução das pontuações obtidas pelas vacas com algumas das características sobressaindo-se nos animais.”

Como objetivos para o futuro próximo, pretendemos lotar o galpão com animais diferenciados, que representem nosso melhor e dêem conta de produzir no nosso manejo, sem diferenciações.



“Também continuar e ampliar a participação em exposições e feiras a fim de divulgar mais e melhor nossos animais e a raça Jersey, no Estado e no País. 




“Ofertar para o mercado animais de boa qualidade genética que possam expressar seus potenciais nas mais diversas condições de produção, e que tragam satisfação aos seus proprietários assim como os nossos nos trazem.



“Continuar reconhecendo a atividade como importante e prazerosa na história da família e desta forma, se algum ou ambos os sucessores resolver dar continuidade, que a trajetória seja mais fácil para eles.
“Como projeto futuro, a implantação de uma ordenha robotizada, visando conhecer ainda mais o comportamento produtivo dos animais.”



No grande jantar de encerramento das atividades oficiais da ACGJB neste ano, a Cabanha GEMA recebeu, durante a solenidade, as cobiçadas "Vaquinhas" - alegremente ditas "Oscar da Raça Jersey no Brasil", com destaque para a RESERVADA DE GRANDE CAMPEÃ NACIONAL, e CAMPEÃ VACA 4 ANOS NACIONAL, GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO "FIV", EX 95.



As informações de Marcos “Caco” Souza de Freitas, em negrito itálico, contém contribuições de Ângela Maraschin, complementadas pelo autor deste blog.